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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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A água em nossas casas

Mäyjo, 18.11.15

COMO CHEGA A ÁGUA ATÉ ÀS NOSSAS CASAS? E O QUE ACONTECE À ÁGUA QUE VAI PELO CANO ABAIXO?

Estas são duas perguntas que os meus alunos me fazem muitas vezes.
 
Então, aqui fica uma pequena resposta/explicação a essa situação.torneira_SAPO

Como consumidores tendemos a pensar que tudo começa e termina quando abrimos a torneira do nosso lava loiças ou lavatório ou puxamos o autoclismo. No entanto, por trás de ações simples, e replicadas tantas vezes por dia, está um complexo esquema de processos e infraestruturas geridos por várias entidades.

A água que chega às nossas casas começa por ser captada em meio hídrico – pode ser captada à superfície, em rios e albufeiras, ou no subsolo em lençóis de água, através de furos ou poços.

O próximo passo é levar a água para as Estações de Tratamento de Água ( ETA) onde ela é tornada adequada para consumo. É aqui que é feita a correção das características físicas, químicas e bacteriológicas da água.

Depois de tratada, ela é transportada das zonas de captação e tratamento para as zonas de consumo, ficando armazenada em reservatórios que asseguram a continuidade do abastecimento. Por vezes, no processo de encaminhamento da água até ao reservatório, é necessário levá-la de pontos baixos para altos, recorrendo-se à atividade de elevação, através de processos de bombagem.

Segundo explica a Águas de Portugal, o grupo empresarial que é responsável por captar, tratar e distribuir água para consumo a cerca de 80% dos municípios portugueses, existem seis processos durante este caminho. A primeira etapa é da gradagem, que consiste em remover as impurezas, como folhas de árvores, ramos e outros materiais grosseiros que possam existir na água que chega à ETA, à qual se seguem outras etapas destinadas a eliminar as restantes partículas, nomeadamente o arejamento e a coagulação, floculação e decantação. “A água captada contém normalmente diversas impurezas que são retiradas por processos físicos e químicos. Por exemplo, o processo de coagulação e floculação, que consiste na adição de um reagente à água que promove a aglutinação de partículas em suspensão e a formação de flocos que possam ser sedimentáveis”, explica a Águas de Portugal.

 

Estes flocos depositam-se no fundo dos tanques, por acção da gravidade, ocorrendo então a decantação. A água clarificada sobrenadante é transferida então para a etapa de tratamento seguinte, a filtração, que tem como objectivo a remoção de partículas que ainda possam existir em suspensão por passagem da água através de um meio poroso – de areia, carvão ou outro material poroso – e através do qual também é reduzido o número de microrganismos e removido o cheiro, sabor e cor.

A última etapa do processo de tratamento é muito importante para a saúde humana. Trata-se da desinfeção, através da qual, com recurso ao cloro, ozono ou por radiação ultravioleta, se eliminam micro-organismos nocivos.

Em complemento ao tratamento da água, é também feito o tratamento de lamas constituídas pelos sólidos removidos na etapa da decantação, nomeadamente através de processos de espessamento e desidratação antes da sua deposição em aterro.

Consumo e rejeição

Em cada zona de consumo é feita a distribuição da água até às torneiras dos consumidores, através de uma rede complexa de tubagens e válvulas. Esta rede deve garantir que a água é distribuída em quantidade e com a pressão e qualidade adequadas para o consumo humano. “Hoje, praticamente 100% da água que chega a casa das pessoas é controlada positivamente, contra [apenas] 50% há 20 anos”, revelou o presidente da Águas de Portugal, Afonso Lobato Faria.

O controlo da qualidade da água para consumo humano é feito através de um conjunto rigoroso de análises a diversos parâmetros e complementado pela verificação da qualidade em diversos pontos, desde as origens de água, no sistema de adução/transporte, nos pontos de entrega às entidades responsáveis pela distribuição domiciliárias e ainda nas torneiras dos consumidores.

Depois de usada pelas populações e aettividades produtivas, a água (a que se chama água residual) é recolhida e encaminhada para as ETAR (Estações de Tratamento de Águas Residuais), onde é tratada de forma a poder ser devolvida à natureza em condições ambientalmente seguras.

As ETAR

Tal como acontece no processo de tratamento da água para consumo, também as águas residuais são sujeitas a diferentes tipos de tratamento – primário, secundário e terciário – consoante as exigências e usos dos meios receptores. Em situações particulares de maior exigência, as águas residuais são adicionalmente desinfetadas.

A primeira etapa na ETAR é o tratamento preliminar (gradagem), onde é feita a remoção dos sólidos de maiores dimensões existentes nas águas residuais que chegam à ETAR – papel higiénico, cotonetes, algodão e restos de comida, entre outros.

 

 

Segue-se o tratamento primário, onde é feita a separação sólido-líquida que permite remover uma quantidade considerável dos sólidos suspensos que se encontra na água residual – os sólidos sedimentados no interior do decantador primário, designados por lamas primárias, são retirados e encaminhados para a linha de tratamento de lamas.

No tratamento secundário, as águas residuais são sujeitas a um tratamento biológico com bactérias que digerem a matéria orgânica existente. As lamas formadas neste processo depositam-se no fundo dos tanques – formando lamas biológicas – ficando a água limpa à superfície. As lamas biológicas que sedimentam no interior do decantador secundário são posteriormente encaminhadas para a linha de tratamento de lamas.

Segue-se o tratamento terciário, onde as águas residuais são submetidas a uma desinfecção, processo que remove as bactérias, os sólidos em suspensão, os nutrientes em excesso e os compostos tóxicos específicos. Depois de passar por este tratamento, a água pode ser usada na agricultura, na rega de espaços verdes, lavagem de pavimentos ou veículos.

Finalmente, as águas residuais tratadas são devolvidas aos meios hídricos. As lamas resultantes do processo de tratamento são também enviadas para o destino final ou para valorização energética ou orgânica (combustível ou fertilizante).

Foto: Gabriel Rocha / Creative Commons

Este artigo faz parte de um trabalho especial sobre Água, publicado durante o mês de Julho e promovido pelaÁguas de Portugal

Sabonete antibacteriano está a prejudicar sistemas de tratamento de esgotos

Mäyjo, 21.01.15

Sabonete antibacteriano está a prejudicar sistemas de tratamento de esgotos

O triclosan é um assassino indiscriminado, que elemina bactérias mesmo nos locais onde as comunidades microbianas trabalham arduamente para nos manter saudáveis, nomeadamente os sistemas de tratamento de esgotos.

As estações de tratamento de águas residuais adicionam frequentemente digestores anaeróbios de maneira a conseguirem reduzir a quantidade de lixo com que têm de lidar. As bactérias que sobrevivem em meios sem oxigénio degradam o lixo orgânico, incluindo os esgotos, e produzem pequenas moléculas de amónia, dióxido de carbono e metano – que pode ser utilizado como combustível. Assim, a quantidade de lixo a tratar é muito menor, o processo de tratamento é mais eficaz.

Contudo, na presença de produtos antibacterianos nas águas residuais, estas bactérias anaeróbias não podem fazer o seu trabalho de limpeza. O triclosan é um dos agentes antibacterianos mais utilizados e o seu uso está a tornar-se preocupante. Além de ser incorporado em sabonetes antibacterianos, produtos para o acne, este componente pode ser encontrado em outros produtos menos óbvios, como as pastas de dentes, detergente para a louça, roupa desportiva, balsamos labiais e até em lápis, refere o Nova Next.

Um novo estudo publicado na revista Environmental Science and Technology indica que “em estações de tratamento de águas residuais, os antibacterianos podem sabotar o trabalho das bactérias aeróbias e promover a resistência a outros micróbios”. Os resíduos sólidos que resultam do processo de filtragem e tratamento acabam muitas vezes como fertilizante, e são espalhados em campos e culturas, infiltrando-se no solo e matando vida microbiana essencial ao funcionamento dos ecossistemas do subsolo.

Contudo, o problema tem uma solução simples: acabar com o uso de triclosan. Vários estudos que investigaram o uso deste componente e a efectividade na redução de doenças concluíram que os sabonetes anti-bacterianos não são mais efectivos que os sabonetes tradicionais.

Foto:  ASCOM – Prefeitura de Votuporanga / Creative Commons